
A eleição para a Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) em 2026 está projetada como uma disputa "inflacionada" e "páreo duro" pelos próprios deputados estaduais que buscam a reeleição. O principal fator é a entrada massiva de ex-prefeitos do interior com forte base municipalista, que anteciparam articulações e elevam os custos da campanha, conforme relatos de parlamentares à reportagem.
O que causou a inflação na disputa? Deputados experientes afirmam que a eleição ficou "mais cara" devido ao lançamento de candidaturas de ex-gestores municipais, alguns com campanha ostensiva iniciada ainda em 2023. Um parlamentar, em conversa reservada, classificou a situação como "absurda" e defendeu investigação sobre as articulações antecipadas, prevendo uma "parada dura" para os atuais ocupantes do cargo.
Quem são os ex-prefeitos confirmados? A lista inclui 14 nomes abrangendo regiões como Região Metropolitana de Salvador (RMS), Recôncavo, Sertão do São Francisco, Oeste e Extremo Sul. Entre eles estão Carlinhos Sobral (MDB) de Coronel João Sá, Dr. Pitágoras (PP) de Candeias, Elinaldo Araújo (União) de Camaçari, Júlio Pinheiro (PT) de Amargosa, Juvenilson Passos (PT) de Sento Sé, Léo de Neco (Avante) de Gandu, Luciano Pinheiro (PDT) de Euclides da Cunha, Luizinho Sobral (PP) de Irecê, Quinho (PSD) de Belo Campo, Rodrigo Hagge (MDB) de Itapetinga, Silva Neto (PDT) de Araci, Thiancle Araújo (PSD) de Castro Alves e Thiago Gileno (PSD) de Ponto Novo. Há ainda a possibilidade de João de Furão (PSD), prefeito em exercício de Conceição da Feira, entrar na corrida.
Qual o impacto da presença de parentes? A concorrência aumenta com candidaturas de familiares de gestores influentes, como Jânio Júnior (filho do prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal do PL), Andrea Castro (esposa do prefeito de Itabuna, Augusto Castro do PSD) e Wagner Alves (marido da prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos da União).
A eleição para a Assembleia Legislativa da Bahia em 2026 se configura como um dos maiores desafios para os atuais deputados, com a entrada de ex-prefeitos e parentes de gestores criando um cenário de alta competitividade e custos elevados. A antecipação das articulações, criticada por parlamentares, sinaliza uma campanha prolongada e acirrada, onde a base municipalista será um trunfo decisivo. Os próximos meses devem testar a força das bancadas existentes, especialmente do PSD, e definir os rumos do legislativo estadual.