
O Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) em Feira de Santana atendeu 3.773 vítimas de acidentes de trânsito ao longo de 2025, um aumento de quase 7% em relação ao ano anterior. Os dados, apresentados no Fórum sobre Violência no Trânsito em 27 de janeiro de 2026, revelam que 60% dessas ocorrências originaram-se na própria cidade, com motociclistas representando 79% dos atendimentos e gerando custos médios de R$ 5 mil por dia na UTI.
O que causou o aumento nos acidentes? Segundo a diretora do HGCA, Cristiana França, a imprudência no trânsito é o principal fator, com jovens do sexo masculino entre 16 e 35 anos sendo os mais afetados. As avenidas Eduardo Fróes da Mota (Anel de Contorno) e João Durval foram os locais com maior número de ocorrências, totalizando 177 acidentes nas três áreas mais perigosas da cidade em 2025. A inspetora da PRF, Lívia Marcelino, destacou que 70% das cerca de 50 mortes em rodovias federais na região ocorreram no Anel de Contorno, atribuindo o problema a buracos, falta de iluminação e sinalização deficiente.
Qual o impacto financeiro para o sistema de saúde? Cada paciente na UTI do Clériston Andrade gera um custo médio de R$ 5 mil por dia, enquanto os leitos de enfermaria custam R$ 2 mil diários. Em 2024, o SUS gastou aproximadamente R$ 449 milhões com atendimento a vítimas de trânsito em todo o Brasil, valor suficiente para adquirir 1.320 ambulâncias. Desde 1998, os gastos hospitalares com acidentes cresceram quase 50% em termos reais, pressionando continuamente o orçamento da saúde pública.
Quais são as principais causas dos acidentes? A combinação de bebida alcoólica e alta velocidade foi apontada como um "combo do mal" pelos especialistas. O capitão da PM, Lacerda Júnior, subcomandante do Esquadrão Asa Branca, afirmou que a fiscalização da Lei Seca tem foco especial nessa prática, retirando de circulação condutores sem condições de dirigir. Além disso, a falta de uso de capacete no interior e distritos foi destacada pela diretora Cristiana França, que relatou que a maioria das vítimas chega com trauma craniano devido à negligência.
Para enfrentar o problema, o superintendente de trânsito de Feira de Santana, Ricardo Cunha, defendeu a criação de um sistema integrado que compartilhe dados entre o Cicom, Samu, HGCA e SMT, permitindo uma análise mais precisa e ações preventivas mais eficazes. A duplicação do Anel de Contorno e melhorias na engenharia de trânsito são esperadas para reduzir os índices, enquanto campanhas de conscientização e fiscalização rigorosa continuam sendo essenciais para salvar vidas e reduzir os custos hospitalares que ultrapassam bilhões no país.