
O presidente interino do Brasil, Geraldo Alckmin, manifestou preocupação com as salvaguardas aplicadas pela China às importações de carne bovina brasileira durante conversa telefônica de 30 minutos com o vice-presidente chinês, Han Zheng, nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026. A medida chinesa, em vigor desde 1º de janeiro deste ano, prevê uma sobretaxa de 55% para carnes que ultrapassarem a cota anual de 1,1 milhão de toneladas, com duração prevista de três anos.
O que são as salvaguardas chinesas? As salvaguardas são instrumentos de defesa comercial aplicados pela China para proteger setores específicos de sua economia. Além do Brasil, países como Austrália e Estados Unidos também são afetados por essas medidas. Na relação bilateral com o Brasil, a previsão inicial é aplicar a sobretaxa de 55% sobre o excedente da cota anual, o que representa um desafio significativo para os exportadores brasileiros.
Qual a relevância da pecuária para o Brasil? Durante a conversa, Alckmin, que também atua como ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, ressaltou a importância estratégica da pecuária para a economia brasileira e destacou o compromisso do governo federal com o setor. A pecuária é um dos pilares do agronegócio nacional, gerando empregos e divisas essenciais para o país.
Quais outros temas foram discutidos? Além das salvaguardas, Alckmin e Zheng conversaram sobre investimentos bilaterais, com foco em infraestrutura, tecnologia, inovação e sustentabilidade. Os dois líderes destacaram o crescimento de 8,2% na corrente de comércio bilateral em 2025, que alcançou um novo recorde anual de US$ 171 bilhões, e reafirmaram o compromisso de ampliar e diversificar as relações comerciais entre os dois países.
Ao final da conversa, Alckmin convidou Han Zheng a visitar o Brasil durante a próxima reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), em data ainda a ser confirmada. O diálogo reflete a tentativa do governo brasileiro de proteger os interesses do agronegócio nacional frente a medidas protecionistas, enquanto busca fortalecer laços econômicos com um dos principais parceiros comerciais do país. O desfecho dessas negociações será crucial para definir o fluxo de exportações de carne bovina brasileira para a China em 2026 e nos anos seguintes.