
O roubo de mel e colmeias tornou-se uma ameaça crescente para a apicultura na região da Bacia do Jacuípe em 2026, com pelo menos 23 casos registrados nos últimos meses em seis municípios. A prática, que combina furto qualificado e crime ambiental, está causando prejuízos econômicos significativos e colocando em risco a continuidade desta importante atividade econômica regional.
O que está acontecendo nos apiários? Apicultores dos municípios de Serrolândia, Várzea do Poço, Capim Grosso, Quixabeira, São José do Jacuípe e Gavião relatam furtos que demonstram conhecimento técnico da atividade. Os criminosos utilizam equipamentos específicos como fumigadores e vestimentas de apicultura, mas cometem graves erros no manejo. "Aqui eles mataram as abelhas com veneno. Tinha um pó branco na boca das caixas", desabafa um produtor, enquanto outro relata: "além de roubarem, ainda colocaram fogo nas minhas caixas".
Quais municípios lideram as ocorrências? Quixabeira aparece como o mais afetado com 8 relatos, seguida por São José do Jacuípe com 6 casos e Capim Grosso com 4 registros. Os números podem ser ainda maiores devido à subnotificação, um problema comum em crimes rurais. A localização estratégica de alguns municípios como Capim Grosso e Capela do Alto Alegre, que possuem linhas regulares de transporte interestadual, pode estar facilitando o escoamento do mel roubado para outros estados como Rio de Janeiro e São Paulo.
Quais são os riscos para consumidores? A retirada inadequada do mel representa grave risco à saúde pública. Os criminosos utilizam fumaça imprópria e produtos químicos que contaminam o produto final. Autoridades alertam que quem compra ou comercializa mel de origem ilegal também pode responder criminalmente, já que a prática envolve múltiplos ilícitos incluindo furto qualificado, dano material e crime ambiental pela morte das abelhas e impacto na polinização.
O cenário atual exige atenção imediata das autoridades e maior organização dos produtores para proteger esta atividade que vem ganhando importância econômica na região. A continuidade dos roubos pode desestimular novos investimentos na apicultura, afetando uma cadeia produtiva que gera renda para diversas famílias. A solução passa por maior vigilância, denúncia sistemática dos casos e conscientização sobre os riscos de consumir produtos de origem duvidosa.