
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornou ao Panamá em janeiro de 2026, após 15 anos de sua última visita, em uma agenda oficial que coincidiu com o julgamento panamenho do caso Odebrecht. A visita, que ocorreu durante o Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, teve como objetivos principais a assinatura de um acordo comercial bilateral e a reafirmação do apoio brasileiro à soberania do Canal do Panamá, em meio a tensões geopolíticas regionais.
O que motivou a visita de Lula ao Panamá em 2026? A viagem foi marcada por três pilares centrais. Primeiro, Lula atuou como convidado de honra do "Davos latino-americano", o Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, que reuniu oito governantes da região. Segundo, Brasil e Panamá assinaram um "acordo de cooperação e facilitação de investimentos" para impulsionar o comércio bilateral, que cresceu 78% no último ano, conforme destacado pela secretária Gisela Padovan do Itamaraty. Terceiro, o presidente brasileiro reforçou o apoio à soberania panamenha sobre o Canal, após aderir em 2025 ao Tratado de Neutralidade em um contexto de tensões com os EUA.
Qual a relação com o julgamento da Odebrecht? A visita oficial coincidiu temporalmente com o julgamento panamenho do caso Odebrecht, iniciado em 12 de janeiro de 2026 após seis adiamentos desde 2023. O processo envolve cerca de 20 réus, incluindo o ex-presidente Ricardo Martinelli, e investiga pagamentos de mais de US$ 80 milhões em subornos no país. O analista Rodrigo Noriega criticou a postura do governo Lula, afirmando que ele "tem se negado a cooperar com a Justiça panamenha" nas notificações de testemunhas-chave, o que, em sua opinião, reflete "a impunidade da classe política latino-americana".
Qual o histórico das visitas de Lula ao Panamá? A última vez que Lula esteve no país foi em maio de 2011, já como ex-presidente, para a inauguração da Cinta Costera – uma obra da Odebrecht. Sua primeira visita oficial como presidente ocorreu em 2007, durante o governo de Martín Torrijos, focada em cooperação em infraestrutura. A atual gestão do presidente panamenho José Raúl Mulino, que já se encontrou com Lula cinco vezes desde 2024, vê na aproximação com o Brasil um "apadrinhamento" estratégico para respaldo internacional.
A visita de Lula ao Panamá em 2026 encapsulou as complexas dinâmicas da política latino-americana, mesclando diplomacia econômica, soberania regional e o pano de fundo de um escândalo de corrupção transnacional. Enquanto os acordos comerciais e o apoio ao Canal sinalizam uma nova fase de cooperação bilateral, a coincidência com o julgamento da Odebrecht levanta questões sobre transparência e justiça. O desfecho desse processo judicial e a implementação dos acordos firmados serão os próximos passos a monitorar nas relações Brasil-Panamá, definindo se a visita será lembrada mais por seus avanços diplomáticos ou por suas contradições políticas.