
A Polícia Federal (PF) retomou nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, os depoimentos dos investigados na operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os depoimentos ocorrem no Supremo Tribunal Federal (STF), por determinação do relator do caso, ministro Dias Toffoli, e incluem executivos-chave de ambas as instituições financeiras.
Entre os convocados para depor estão Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB, e Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Banco Master. Também serão ouvidos Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master, e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banco. Os depoimentos do diretor da Tirreno, André Felipe de Oliveira Seixas Maia, e do empresário Henrique Souza e Silva Peretto, previstos para segunda-feira, foram adiados a pedido das defesas. A Tirreno é apontada como a empresa de fachada usada para vender títulos inexistentes ao Banco de Brasília.
Na segunda-feira, foram ouvidos Dario Oswaldo Garcia Júnior, diretor financeiro e da Controladoria do BRB, e Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master, que permaneceu em silêncio, mas afirmou previamente não ter poder decisório na instituição e ter atuado apenas como procurador. O Banco de Brasília anunciou, no dia 28 de março de 2025, uma proposta de compra do Banco Master com o objetivo de formar um novo conglomerado controlado pela estatal. O processo, no entanto, levantou polêmicas, dada a desconfiança sobre a qualidade dos ativos do Master, e no dia 3 de setembro de 2025 o Banco Central reprovou o negócio.
A primeira etapa da operação chegou a prender o ex-banqueiro Daniel Vorcaro no dia 17 de novembro de 2025, um dia antes de o BC determinar a liquidação do Master. Ele é acusado de liderar o esquema que vendeu créditos fictícios ao BRB. Vorcaro, porém, acabou solto. Depois do Banco Master, foram liquidados a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nova denominação da Reag Trust, no último dia 15 de janeiro de 2026, e o Will Bank, na quarta-feira, 21 de janeiro de 2026. Os depoimentos desta terça-feira são cruciais para esclarecer as responsabilidades na tentativa de compra reprovada e nas operações irregulares que levaram à liquidação das instituições.