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O ex-lateral-direito Rafinha, apresentado como novo gerente esportivo do São Paulo nesta terça-feira (27/01/2026), admitiu publicamente ter recebido pagamentos em dinheiro vivo durante sua passagem como jogador pelo clube. A declaração ocorre enquanto a Polícia Civil investiga saques que totalizam R$ 11 milhões das contas do Tricolor Paulista, com base em relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
O que é o 'bicho' no futebol? Rafinha se referiu à prática conhecida como "bicho molhado", uma premiação paga aos jogadores normalmente ainda no vestiário após as partidas. O novo dirigente afirmou que recebeu esse tipo de pagamento em espécie não apenas no São Paulo, mas também durante suas passagens por Flamengo, Grêmio e Coritiba. "Isso faz parte do futebol", declarou o ex-atleta, que preferiu não se aprofundar nas investigações em curso.
Linha do tempo dos saques investigados mostra movimentações significativas: em 2021 foram R$ 1,5 milhão em sete operações; 2022 registrou R$ 1,2 milhão em seis saques; 2023 teve R$ 1,4 milhão também em seis retiradas. O ano de maior movimentação foi 2024, com 11 saques totalizando R$ 5,2 milhões, seguido por 2025 com R$ 1,7 milhão em cinco operações.
Como os saques eram realizados? Inicialmente, as duas primeiras movimentações em 2021 foram feitas por um funcionário do próprio clube. Posteriormente, o São Paulo contratou uma empresa de carro forte para realizar as retiradas - medida que, segundo a investigação policial, pode ter sido uma forma de dificultar a identificação dos envolvidos.
Defesa do clube e próximos passos está a cargo do escritório Iokoi Advogados, que já apresentou uma prestação de contas para justificar o uso dos R$ 11 milhões. A Polícia Civil, sob comando do delegado Tiago Fernando Correia, aguarda o envio completo dos documentos que comprovem a destinação do dinheiro para dar seguimento às investigações.
A apresentação de Rafinha como gerente esportivo do São Paulo em 2026 ocorre em meio a um dos maiores escândalos financeiros recentes do clube. Enquanto o ex-jogador tenta focar em sua nova função e cobra "mudança de postura" no Tricolor, as investigações sobre os saques milionários continuam avançando. O caso levanta questões sobre práticas de pagamento no futebol brasileiro e os mecanismos de controle financeiro nos clubes, especialmente considerando os valores envolvidos e os métodos utilizados para as retiradas.