
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em dezembro de 2024, fora da agenda oficial presidencial. O encontro, articulado pelo ex-ministro Guido Mantega e com presença do presidente do Banco Central Gabriel Galípolo, ocorreu antes da grave crise financeira que resultou na liquidação do banco em novembro de 2025 e na prisão de Vorcaro por suspeitas de fraudes bilionárias.
A reunião foi confirmada após investigação jornalística e revela as conexões políticas do caso que abalou o sistema financeiro brasileiro. No encontro, Lula ouviu relatos sobre a situação operacional do Banco Master e orientou Vorcaro a procurar o Banco Central para tratar de questões técnicas, conforme apuração realizada. Vorcaro chegou acompanhado do ex-CEO do banco, Augusto Lima, em um momento onde o conglomerado Master já enfrentava problemas que culminariam na maior crise do setor.
Daniel Vorcaro não se limitou a autoridades federais. O banqueiro conversou múltiplas vezes com o governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha sobre a venda do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília), revelação que levou a oposição a protocolar pedido de impeachment contra o governador. Em depoimento à Polícia Federal em 30 de dezembro, Vorcaro admitiu ter "amigos em todos os poderes" mas garantiu que, além de Ibaneis e autoridades do BC, não discutiu a aquisição com outros políticos.
A crise explodiu em novembro de 2025 quando o Banco Central decretou liquidação especial do conglomerado Master, citando "grave crise de liquidez" e "violações graves" às normas do sistema financeiro. A medida atingiu o Banco Master S/A, Banco Master de Investimento S/A, Banco Letsbank S/A e Master S/A Corretora. Simultaneamente, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero contra emissão de títulos falsos, prendendo Vorcaro em 17 de novembro - posteriormente solto com tornozeleira eletrônica.
O caso Banco Master expõe as complexas relações entre poder político e sistema financeiro, com encontros não oficiais precedendo uma das maiores crises regulatórias do país. Enquanto as investigações da PF avançam com as quebras de sigilo autorizadas pelo STF, a revelação do encontro de Lula com Vorcaro em 2024 adiciona nova camada às suspeitas de irregularidades bilionárias que levaram à liquidação do conglomerado. O desfecho judicial do caso e seus impactos na regulação financeira brasileira serão acompanhados de perto em 2026.