
A cigana Derneval Maria da Costa Braga, conhecida como Dona Budel, completou 106 anos de vida no domingo, 25 de janeiro de 2026, em Queimadas, no Território do Sisal da Bahia. Reconhecida como a cigana mais antiga da região, sua trajetória centenária simboliza memória, resistência e sabedoria do povo cigano, mantendo vivos costumes que atravessam gerações.
Nascida em 25 de janeiro de 1920, na localidade que hoje corresponde ao município de Quijingue, também no Território do Sisal, Dona Budel construiu sua vida em Queimadas, onde reside há décadas. Sua história se confunde com a presença do povo cigano na região, sendo transmitida por meio da oralidade e da convivência familiar. Ao longo de mais de um século, ela acompanhou profundas transformações sociais e culturais no sertão baiano, mantendo costumes e valores que fazem parte da identidade cigana.
Um registro fotográfico que circula nas redes sociais mostra Dona Budel ao lado de uma freira, detalhe que foi explicado pelo vizinho Sérgio de Mainar. Segundo ele, a freira Irmã Anuarita, que mora na Polônia, veio em dezembro conhecer o Brasil e, em sua passagem por Queimadas, aproveitou para conhecer a comunidade cigana local. O episódio reforça o respeito e a admiração que Dona Budel desperta, ultrapassando os limites da comunidade cigana e alcançando toda a população.
Ser cigana no Brasil significa pertencer a povos tradicionais com origens no norte da Índia, que chegaram ao país principalmente durante o período colonial e mantiveram costumes próprios, forte tradição oral e organização familiar baseada no respeito aos mais velhos. No interior da Bahia, muitas famílias ciganas passaram do modo itinerante para a fixação territorial, sem perder sua identidade cultural. Dona Budel é um exemplo vivo dessa transição e resistência.
Aos 106 anos, Dona Budel segue cercada pelo carinho da família e da vizinhança em Queimadas, simbolizando resistência, dignidade, fé e sabedoria no sertão da Bahia. Sua trajetória reforça a importância de reconhecer, valorizar e preservar a memória das comunidades tradicionais, que são parte fundamental da identidade histórica e cultural do Território do Sisal. Como guardiã da memória ancestral, ela continua a inspirar gerações com sua longevidade e sabedoria.