
Duas estudantes indígenas da rede estadual da Bahia, Ana Beatriz Cá Arfer Jurum Tuxá e Eduarda Ferreira Alves, ambas do povo Tuxá, alcançaram notas excepcionais de 920 e 900 pontos, respectivamente, na Redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2025. O feito ocorreu no Colégio Estadual Indígena Capitão Francisco Rodelas, localizado no município de Rodelas, no Território de Identidade de Itaparica, e integra ações de equidade da Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC).
As primas e colegas são exemplos identificados em um levantamento preliminar da SEC, realizado junto aos 27 Núcleos Territoriais de Educação (NTE), que destacou notas de estudantes de escolas quilombolas e indígenas, mesmo sem dados oficiais por Estado do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Em 2025, a rede estadual registrou cerca de cinco mil estudantes quilombolas e mais de sete mil indígenas, refletindo um investimento em comunidades historicamente excluídas.
Ana Beatriz, que obteve 920 pontos, atribuiu o sucesso ao apoio recebido, à metodologia adotada e à leitura, ressaltando que o tema do envelhecimento na redação dialoga com a visão indígena que reconhece os anciões como guardiões da sabedoria e da memória. Eduarda, com 900 pontos, destacou a escrita constante ao longo do ano, o estudo da estrutura do texto dissertativo-argumentativo e o incentivo da escola, enfatizando a importância do tema para combater estigmas e reforçar o respeito aos idosos, símbolos de identidade, cultura e tradição para os povos originários.
Para a diretora de Educação dos Povos e Comunidades Tradicionais da SEC, Poliana Reis, esses exemplos refletem uma política construída de forma coletiva, baseada na escuta e participação das comunidades. Com o desempenho no Enem, os estudantes podem concorrer a vagas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), além de acessar o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), abrindo portas para o ensino superior.
O sucesso das estudantes indígenas no Enem 2025 não só celebra conquistas individuais, mas também evidencia o impacto das políticas de equidade educacional na Bahia, promovendo inclusão e valorização das culturas tradicionais. Esses resultados incentivam a continuidade de investimentos em ações que ampliem o acesso e a qualidade da educação para comunidades quilombolas e indígenas, fortalecendo a diversidade e a representatividade no cenário educacional brasileiro.