
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou neste sábado, 24 de janeiro de 2026, contra a soltura de Filipe Martins, ex-assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por envolvimento na trama golpista após as eleições de 2022. Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, não há "fatos novos" que justifiquem a libertação, destacando que Martins demonstra "desdém pelas determinações judiciais" ao acessar a rede social LinkedIn, violando medidas cautelares.
O que levou a PGR a se posicionar contra a soltura de Filipe Martins? A decisão foi tomada após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes dar 15 dias para que a PGR se manifestasse sobre o pedido de libertação apresentado pela defesa. Gonet argumentou que a postura do réu mostra desrespeito às ordens judiciais e que medidas alternativas menos gravosas se mostraram ineficazes, tornando a prisão preventiva necessária para garantir a aplicação da lei penal e a disciplina do processo. Ele enfatizou que não existem fatos novos que alterem o quadro probatório que embasou a prisão, descartando a revogação ou relaxamento da medida.
Qual a defesa de Filipe Martins contra as acusações? Em nota enviada ao Broadcast Político, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o advogado de Martins, Ricardo Scheiffer, afirmou que apresentou relatórios de acessos do ex-assessor no LinkedIn, que mostrariam que ele não utilizou a plataforma. Scheiffer criticou a decisão, alegando que uma "mera captura de tela não verificável" foi usada para sustentar a prisão, enquanto documentos oficiais da defesa foram desqualificados sem perícia conclusiva, transformando, segundo ele, uma medida cautelar em antecipação de pena.
Com o parecer da PGR enviado neste sábado, o ministro Alexandre de Moraes deve decidir se irá ou não acompanhar o posicionamento de Paulo Gonet, determinando o futuro de Filipe Martins. O caso destaca as tensões contínuas no sistema judiciário brasileiro em relação aos processos ligados à tentativa de golpe de 2022, com a defesa alegando excessos na aplicação de medidas cautelares e a acusação reforçando a necessidade de rigor para assegurar a justiça. A decisão final de Moraes será crucial para definir os próximos passos no processo judicial envolvendo um dos principais réus da trama golpista.