
O nascimento do bebê Taysson Gael no Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio (HMIJS) em Ilhéus, na manhã de sexta-feira (23 de janeiro de 2026), representa um marco histórico: ele é o bebê indígena número 500 a nascer na unidade desde sua inauguração em dezembro de 2021. Filho de Tatiane de Jesus (29 anos) e Marivaldo (35), moradores da Aldeia Curupitanga em Olivença, o recém-nascido de 3.295 kg e 49 cm simboliza a interseção entre medicina moderna e tradições ancestrais no único hospital baiano habilitado pelo Ministério da Saúde para atendimento exclusivo aos Povos Originários.
O que significa o número 500 para a saúde indígena na Bahia? Segundo a diretora-geral do HMIJS, Domilene Borges, cada um desses nascimentos é "uma vitória contra o apagamento histórico e um marco na história da Bahia", fortalecendo a identidade indígena regional. A unidade, administrada pela Fundação Estatal Saúde da Família (FESF-SUS) do Governo da Bahia, opera como a única maternidade 100% SUS da região, integrando rigor médico com respeito a práticas culturais - incluindo colaboração com parteiras tradicionais e equipes da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI).
Como funciona o atendimento especializado para comunidades indígenas? Além de partos e internações, o hospital oferece atendimento ambulatorial em pré-natal de alto risco, obstetrícia, cardiologia, enfermagem, nutrição e psicologia para mulheres e crianças indígenas. Localizada a oito quilômetros da sede de Olivença, a Aldeia Curupitanga - onde residem cerca de 60 famílias Tupinambá - exemplifica como o acesso à saúde pública qualificada chega a comunidades remotas do litoral sul de Ilhéus.
Qual o contexto demográfico que torna este marco ainda mais relevante? Na Bahia, vivem aproximadamente 230 mil pessoas declaradas indígenas, distribuídas em 33 povos e 245 comunidades. O HMIJS consolida-se como polo de humanização do cuidado, ensino e pesquisa, alinhado aos princípios do SUS. A escolha do nome Taysson Gael - homenagem à tia Thaís - reflete a preservação cultural que permeia desde a nomeação até as práticas de parto, demonstrando como a saúde pública pode atuar como instrumento de reparação histórica.
O nascimento do 500º bebê indígena no Materno-Infantil de Ilhéus consolida a unidade como referência estadual na garantia de direitos reprodutivos e cuidados perinatais para populações tradicionais. Com previsão de expansão de parcerias acadêmicas - como a já existente com a UESC para distribuição de mudas de pau-brasil - e manutenção do modelo que integra conhecimento médico e saberes ancestrais, o hospital projeta continuar sendo destino prioritário para gestantes indígenas de toda a região sul da Bahia. O próximo marco - o bebê número 600 - deverá ocorrer nos próximos anos, mantendo a trajetória de aproximadamente 125 nascimentos indígenas anuais na unidade.