
A vacinação infantil contra a Covid-19 enfrenta uma grave crise de cobertura no Brasil em 2026, com índices alarmantemente baixos que colocam em risco a saúde pública. Dados oficiais do Ministério da Saúde mostram que, em 2025, apenas 3,49% do público-alvo menor de 1 ano recebeu a imunização, enquanto a meta ideal de 90% permanece distante. A inclusão da vacina no calendário básico desde 2024 para crianças, idosos e gestantes não foi suficiente para garantir a proteção necessária contra um vírus que continua causando hospitalizações e mortes.
O que causou a queda na vacinação infantil? Segundo a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Ballalai, a principal causa é a baixa percepção de risco. "O ser humano é movido pela percepção de risco. Quando a vacina chegou para as crianças, o cenário era outro, com menos casos, menos mortes e a percepção de risco tinha diminuído. Aí o antivacinismo começa a fazer efeito", argumenta. Os números comprovam o problema: enquanto o Brasil aplicou 2 milhões de doses no público infantil em 2025, apenas 8 milhões das 21,9 milhões de vacinas distribuídas foram utilizadas - menos de 4 a cada 10 doses.
Qual o risco real da Covid-19 para crianças? As crianças com menos de 2 anos são o segundo grupo mais vulnerável às complicações pela covid-19, atrás apenas dos idosos. Dados da plataforma Infogripe da Fiocruz revelam que, de 2020 a 2025, quase 20,5 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave foram registrados nessa faixa etária, com 801 mortes. Apenas em 2025, foram 55 mortes e 2.440 internações. Além disso, as crianças podem desenvolver a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), com mortalidade de 7%, e estudos internacionais mostram maior incidência de doenças cardiovasculares pós-infecção.
A vacina é segura e eficaz? O acompanhamento de 640 crianças e adolescentes vacinados com a Coronavac em São Paulo mostrou que apenas 56 foram infectadas após a vacinação, nenhuma com gravidade. Entre 2022 e 2023, o Brasil aplicou mais de 6 milhões de doses em crianças com poucas notificações de eventos adversos, a maioria leve. "Nós que defendemos as vacinas temos todas as evidências científicas pra provar o que a gente diz", afirma Ballalai, criticando médicos que passaram a questionar vacinas por interesses políticos e financeiros.
O coordenador do Infogripe, Leonardo Bastos, alerta que "a covid não foi embora" e que o coronavírus continua sendo um dos vírus respiratórios mais ameaçadores. A pesquisadora Tatiana Portella complementa que não há como prever quando surgirá uma nova variante mais transmissível, reforçando a importância da vacinação em dia. Com 10.410 casos graves e cerca de 1.700 mortes por Covid-19 registrados em 2025 apenas entre casos confirmados laboratorialmente, especialistas defendem urgência na melhoria da cobertura vacinal e na formação de profissionais de saúde para recomendar a imunização às famílias.