
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de ter trazido o "cassino para dentro das casas" dos brasileiros ao não regulamentar as empresas de apostas esportivas (bets) durante a expansão do setor. A declaração ocorreu durante evento de entrega de moradias em Rio Grande (RS), no âmbito do Programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades (MCMV-E), e reforça o discurso da equipe econômica do governo atual, que critica a gestão anterior pela falta de tributação adequada.
Em tom de campanha, Lula afirmou que a administração de Bolsonaro permitiu que a jogatina se infiltrasse no cotidiano familiar. "Eles levaram o cassino para dentro da nossa casa, para os filhos da gente utilizarem os nossos telefones e fazerem jogatina o dia inteiro. A gente não vê outra coisa na televisão a não ser jogatina com essas bets", disse o presidente, destacando a onipresença das apostas na mídia e no ambiente doméstico.
O discurso de Lula vai ao encontro das críticas da equipe econômica do governo, que aponta falhas na gestão de Bolsonaro. No final do ano passado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia criticado a administração anterior por não cobrar "os impostos devidos" das empresas de bets. "O governo anterior, como vocês sabem, não cobrou os impostos devidos pelas bets. Toda atividade econômica tem que ser tributada, independentemente da regularização", afirmou Haddad, enfatizando a necessidade de arrecadação fiscal mesmo em setores ainda não totalmente regulamentados.
O evento em que Lula fez as declarações foi marcado pela entrega de 1.276 unidades habitacionais do Empreendimento Junção, em Rio Grande (RS), parte do Programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades (MCMV-E). As moradias foram inauguradas pelo governo a partir do direcionamento de imóveis da União sem uso ou ociosos para habitação social, demonstrando uma ação concreta na área de política habitacional enquanto o presidente abordava temas econômicos e regulatórios.
A acusação de Lula reflete uma postura crítica em relação à gestão econômica de Bolsonaro, focando na ineficiência regulatória e fiscal que, segundo o governo atual, deixou brechas para a expansão descontrolada das apostas. Com a equipe econômica alinhada nesse discurso, a expectativa é que medidas de regulamentação e tributação do setor de bets sejam priorizadas em 2026, visando corrigir o que é visto como um legado problemático da administração anterior. O próximo passo será observar como o governo implementará políticas para equilibrar a atividade econômica das apostas com a proteção social e a arrecadação fiscal.