
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, a visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso na Sala de Estado-Maior no Complexo Penitenciário da Papuda, conhecida como “Papudinha”. As visitas acontecerão das 8h às 10h, conforme decisão judicial que também incluiu outras autorizações.
Além de Tarcísio de Freitas, Moraes autorizou as visitas de Diego Torres Dourado, irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, e Bruno Scheid, vice-presidente do PL em Rondônia. Esta medida ocorre após uma série de mudanças nas condições de detenção de Bolsonaro, determinadas pelo ministro no último dia 15 de janeiro de 2026. Naquela ocasião, Moraes ordenou a transferência do ex-presidente da Superintendência Regional da Polícia Federal do Distrito Federal para a Sala de Estado-Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar, o que resultou em melhorias significativas.
A transferência permitiu o aumento dos horários de visitas de 2 para 6 horas diárias e elevou o número de refeições diárias de 3 para 5. A sala na Papudinha, com uma área de 64,8 m², oferece banheiro, cozinha, lavanderia, quarto, sala e área externa, proporcionando condições mais adequadas em comparação com a detenção anterior. Esta decisão foi tomada após Michelle Bolsonaro se reunir com o ministro Gilmar Mendes para discutir a possibilidade de transferir o ex-presidente para prisão domiciliar, um tema que voltou a ser debatido nos bastidores políticos.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também entrou nas negociações, ligando para integrantes da Suprema Corte em um esforço para influenciar as condições de Bolsonaro. A possibilidade de prisão domiciliar, antes considerada “enterrada”, ressurgiu nas discussões, embora aliados do ex-presidente admitam ser difícil esperar “boa vontade” de Moraes em relação ao capitão da reserva. Bolsonaro foi condenado em setembro de 2025, junto com outros sete réus, por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, envolvendo crimes como organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
A autorização de visitas e as melhorias nas condições de detenção refletem um contexto político em evolução, com negociações em andamento sobre o futuro jurídico de Bolsonaro. Enquanto a esperança por medidas como a prisão domiciliar persiste entre seus aliados, as decisões de Moraes continuam a moldar o cenário, com possíveis desdobramentos que podem impactar a política nacional em 2026. O caso permanece sob vigilância, com expectativas sobre próximos passos no processo judicial e nas relações entre figuras políticas chave.