
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) chegou aos Estados Unidos nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, para uma agenda em Washington que inclui reuniões com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA e parlamentares norte-americanos. O objetivo principal é discutir a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros condenados pelos atos de 8 de janeiro, com o parlamentar afirmando que tratará "não apenas da prisão de Bolsonaro, mas de todos os presos políticos em geral".
O que motivou a viagem do senador Eduardo Girão aos Estados Unidos? Segundo o parlamentar, os encontros ocorrerão ainda nesta semana e contarão com assessores de senadores da Comissão de Direitos Humanos do Senado brasileiro. Girão declarou que a pauta vai além da situação específica de Bolsonaro, abrangendo o que ele classifica como "violações das liberdades individuais" e uma "ditadura da toga" no Brasil.
Paralelamente à viagem internacional, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) lidera uma caminhada até Brasília, em mobilização que Girão menciona como parte do mesmo contexto. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), presidente da CDH do Senado, anunciou que a Corte Interamericana de Direitos Humanos acatou um pedido para apurar as condições da prisão de Bolsonaro, sustentando que o ex-presidente estaria sendo submetido a tortura.
Qual o argumento jurídico apresentado pela oposição? Damares Alves alega violação de direitos humanos tanto no mérito da condenação quanto na execução da pena, argumentando que Bolsonaro, por ter mais de 70 anos e problemas de saúde, não deveria cumprir pena em regime fechado - o que caracterizaria tratamento degradante. Jair Bolsonaro cumpre pena desde novembro em uma sala de Estado da superintendência da Polícia Federal em Brasília, condenado em setembro por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
Esta não é a primeira iniciativa internacional da oposição sobre o tema. Em janeiro de 2025, uma comitiva de parlamentares alinhados a Bolsonaro esteve em Washington durante a posse do presidente Donald Trump para discutir a situação com representantes do Partido Republicano, demonstrando uma estratégia contínua de buscar apoio externo para suas demandas.
A viagem de Eduardo Girão representa mais um capítulo na estratégia da oposição de internacionalizar o caso Bolsonaro e outros condenados pelos eventos de 8 de janeiro. Com a Corte Interamericana já envolvida através do pedido de Damares Alves, as reuniões em Washington podem pressionar por maior escrutínio internacional sobre o sistema judiciário brasileiro. O desfecho dessas articulações poderá influenciar tanto o debate interno sobre direitos humanos quanto as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos em 2026.