
O duplo assassinato dos médicos Luís Roberto Pellegrini Gomes, 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, 35 anos, ocorreu na noite de sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, em frente a um restaurante uruguaio no bairro Alphaville, em Barueri, na Grande São Paulo. O autor dos disparos, o médico Carlos Alberto, foi preso em flagrante pela Guarda Municipal no local e, após audiência de custódia, teve a prisão convertida em preventiva. As investigações apontam que uma rixa antiga por contratos de licitação no setor de gestão hospitalar teria motivado o crime, que foi registrado por câmeras de segurança.
O que causou a briga e como ocorreu o crime? De acordo com o delegado Andreas Schiffmann, da Polícia Civil, Carlos Alberto estava com amigos no restaurante quando avistou Luís Roberto e Vinicius, que era funcionário de Luís, em outra área do local. Ele se aproximou, iniciou uma conversa que rapidamente escalou para uma agressão física. Câmeras registraram o bate-boca e a troca de socos, com funcionários do estabelecimento tentando separar os envolvidos. Após a intervenção da Guarda Municipal, que revistou os três e não encontrou armas, pedindo que se retirassem, Carlos, já do lado de fora, recebeu uma bolsa com uma pistola 9 mm – supostamente entregue por uma mulher não identificada – e efetuou dezenas de tiros contra as vítimas, que tentavam ir embora. A ação, da rendição à prisão, durou cerca de 15 a 20 segundos. Luís Roberto foi atingido por 8 tiros, e Vinicius por 2; ambos foram socorridos, mas morreram no pronto-socorro.
Qual o perfil das vítimas e do atirador? Luís Roberto Pellegrini Gomes trabalhava como cardiologista em um hospital municipal de Barueri e foi velado e enterrado em Rafard, interior paulista. Vinicius dos Santos Oliveira atuava em unidades de saúde de Cotia desde 2019, incluindo Unidades Básicas de Saúde do Atalaia, Caucaia do Alto e Portão, além do Pronto Atendimento de Caucaia do Alto; deixou esposa e um filho de 1 ano e meio, sendo velado em Osasco. Carlos Alberto, o atirador, já tinha sido preso em 2025 por crimes de racismo e agressão em Aracaju, Sergipe. Ele possui registro de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC), mas não tinha licença para portar a arma – o que é exigido separadamente pela legislação federal para defesa pessoal. A polícia apreendeu a arma, cápsulas deflagradas, uma bolsa, documentos e R$ 16 mil, que passarão por perícia.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, com foco em apurar a dinâmica completa do crime, a cadeia de fornecimento da arma e os antecedentes dos envolvidos. A rápida ação dos agentes da Guarda Municipal foi crucial para a prisão em flagrante, evitando mais vítimas. A comunidade médica e as cidades de Barueri e Cotia lamentam a perda dos profissionais, destacando o comprometimento de Vinicius com o serviço público, inclusive atuando no hospital de campanha durante a Covid-19. O desfecho judicial e as descobertas da perícia devem trazer mais clareza sobre este trágico episódio de violência.