
O ex-ministro Raul Jungmann morreu no sábado, 18 de janeiro de 2026, aos 73 anos, em decorrência de um câncer no pâncreas. Ele estava internado no Hospital DF Star, em Brasília, e lutava havia anos contra a doença. O velório será restrito a familiares e amigos próximos, conforme desejo expresso pelo próprio Jungmann e comunicado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entidade da qual era diretor-presidente.
Quem foi Raul Jungmann e qual sua trajetória política? Nascido em Recife (PE) em 3 de abril de 1952, Jungmann ingressou no curso de Psicologia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) em 1976, mas não se formou. Durante a ditadura militar, ele foi militante no Partido Comunista Brasileiro (PCB), com a legenda ainda na clandestinidade. Nos anos 1970, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime, e participou do movimento Diretas Já na década seguinte.
Nos anos 1990, Jungmann ajudou a fundar o Partido Popular Socialista (PPS), onde permaneceu por mais de 20 anos, com idas e vindas; em 2019, o PPS passou a se chamar Cidadania. Sua trajetória política incluiu o cargo de secretário de Planejamento de Pernambuco (1990-1991), presidência do Ibama (1995-1996) e do Incra (1996-1999). Como ministro, integrou os governos de Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer: no governo FHC, assumiu em 1996 o Ministério Extraordinário de Política Fundiária, que virou Ministério do Desenvolvimento Agrário em 1999, permanecendo até 2002; em 2016, foi nomeado ministro da Defesa por Temer, e em 2018 assumiu o recém-criado Ministério da Segurança Pública, sendo seu único titular antes da pasta ser incorporada ao Ministério da Justiça no governo Bolsonaro.
Jungmann também exerceu mandatos como deputado federal: entre 2003 e 2006 pelo PMDB, de 2007 a 2010 pelo PPS e de 2015 a 2018 novamente pelo PPS. Desde 2022, estava na direção do Ibram. Em 2025, fez parte de um grupo de nove ex-ministros da Justiça que assinaram um manifesto de apoio ao STF e a seus magistrados, após sanções do então presidente dos EUA, Donald Trump.
A morte de Raul Jungmann encerra uma carreira política extensa e multifacetada, marcada por transições partidárias e atuação em governos de diferentes espectros. Sua luta contra o câncer no pâncreas, que culminou no falecimento em janeiro de 2026, deixa um legado de envolvimento em causas como reforma agrária, defesa e segurança pública. O velório restrito reflete seu desejo pessoal, enquanto o setor de mineração, por meio do Ibram, perde uma liderança ativa até recentemente.