
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um artigo no jornal The New York Times neste domingo (18/01/2026) criticando duramente os bombardeios dos Estados Unidos em território venezuelano e a captura do presidente do país no início de janeiro. Lula classificou as ações como "mais um capítulo lamentável da contínua erosão do direito internacional" e defendeu o fortalecimento da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.
No texto, o presidente brasileiro atacou o que chamou de "ataques recorrentes de grandes potências" à autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) e de seu Conselho de Segurança. Lula alertou que "quando o uso da força para resolver disputas deixa de ser exceção e passa a ser regra, a paz, a segurança e a estabilidade globais ficam ameaçadas". Ele argumentou que a aplicação seletiva das normas internacionais compromete todo o sistema global, criando uma "anomia" que enfraquece tanto os Estados individualmente quanto o sistema internacional como um todo.
Lula reconheceu que chefes de Estado podem ser responsabilizados por ações contra a democracia, mas ressaltou que "não é legítimo que outro Estado se arrogue o direito de fazer justiça". O presidente destacou que ações unilaterais "ameaçam a estabilidade em todo o mundo, desorganizam o comércio e os investimentos, aumentam o fluxo de refugiados e enfraquecem a capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado". Ele considerou "particularmente preocupante" que essas práticas estejam sendo aplicadas à América Latina e ao Caribe, região que busca a paz através da igualdade soberana das nações.
O presidente brasileiro fez uma afirmação histórica: "em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos". Lula defendeu que a região, com mais de 660 milhões de habitantes, "tem seus próprios interesses e sonhos a defender" e afirmou que "não seremos subservientes a empreendimentos hegemônicos". Ele propôs a construção de uma agenda regional positiva capaz de superar diferenças ideológicas, atraindo investimentos em infraestrutura, promovendo empregos de qualidade e ampliando o comércio.
Em relação aos Estados Unidos, Lula afirmou que Brasil e EUA são "as duas democracias mais populosas do continente americano" e defendeu que "unir esforços em torno de planos concretos de investimento, comércio e combate ao crime organizado é o caminho a seguir". O presidente concluiu com um apelo à cooperação hemisférica: "Somente juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós". O artigo representa uma posição diplomática firme do governo brasileiro em defesa do multilateralismo e da soberania regional no contexto das tensões internacionais de 2026.