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O atacante haitiano Garrinsha foi o grande destaque da primeira rodada do Campeonato Carioca 2026, marcando um golaço e dando uma assistência na vitória do Bangu por 2 a 1 sobre o Flamengo. Enquanto vive o melhor momento da carreira, o jogador de 24 anos enfrenta um drama pessoal: a luta para trazer sua família, que vive nos Estados Unidos, para o Brasil, em meio a mudanças na política migratória americana.
O que causou o drama familiar de Garrinsha? A família do atacante – o pai Joseph Garry, a mãe Gina Jean e a irmã Gabriela – deixou o Haiti em 2022 após o assassinato do presidente Jovenel Moïse, que intensificou a crise política e de segurança no país, hoje palco de uma violenta guerra civil. Eles buscaram refúgio nos Estados Unidos, estabelecendo-se em Durham, Carolina do Norte, aproveitando políticas facilitadoras do governo de Joe Biden. No entanto, a eleição de Donald Trump em 2024 trouxe um cerco conservador contra imigrantes, pressionando deportações para países de origem, como o Haiti, considerado "inviável" para viver devido à violência.
Qual o empecilho para a reunião familiar no Brasil? Inicialmente, a família planejava vir ao Brasil usando o visto de reunião familiar, mas um erro na emissão do passaporte brasileiro de Garrinsha – onde o sobrenome Estimphile foi escrito com "n" em vez de "m" – adiou o processo, pois poderia dificultar a comprovação de parentesco. Agora, com a situação nos EUA precária (o pai teve a permissão de trabalho suspensa), a família busca o visto brasileiro, enfrentando até riscos em viagens ao consulado em Washington, devido a ameaças do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).
Quem está ajudando Garrinsha nesse processo? O jogador conta com o apoio do Viva Rio e do projeto Haiti Aqui, que prestam auxílio consular e proteção legal a imigrantes. Rubem César Fernandes, diretor-fundador do Viva Rio e do Pérolas Negras (clube que detém os direitos de Garrinsha, com o atacante emprestado ao Bangu até 15 de março), descreve a situação como "um pouco dramática", destacando os perigos no Haiti. A família está em contato com o consulado brasileiro desde o ano passado e deve dar entrada no pedido de visto nas próximas semanas, com expectativa de agilidade no processo.
Enquanto Garrinsha comemora seu brilho em campo – incluindo um chute inapelável que superou o goleiro rubro-negro Léo Nannetti –, sua vida fora dos gramados é marcada por incertezas. O atacante, que saiu do Haiti em 2019 e foi captado pelo Pérolas Negras, divide-se entre o sucesso esportivo e o medo de que sua família seja forçada a retornar ao Haiti. Com o apoio de organizações e a esperança de um desfecho positivo, ele torce para que, em breve, Joseph, Gina e Gabriela possam se juntar a ele no Rio de Janeiro, fechando um capítulo de drama e abrindo um novo de reunificação familiar.