
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne nesta sexta-feira (16 de janeiro de 2026) no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. O encontro, marcado para as 13h, tem como objetivo principal discutir os próximos passos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, aprovado pelos europeus na semana passada, às vésperas da cerimônia de ratificação prevista para sábado (17) em Assunção, Paraguai.
O que está em jogo nesta reunião? O acordo comercial, negociado por mais de 25 anos, vai criar uma zona de livre comércio de 720 milhões de habitantes e somará um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões, segundo informações dos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Esta será a maior zona de livre comércio do mundo em termos populacionais, superando acordos regionais na Ásia e América do Norte.
Como será a implementação do acordo? Após a reunião, os líderes farão uma declaração conjunta à imprensa, detalhando os cronogramas e mecanismos de implementação. Nesta terça-feira (13), Lula já havia conversado com o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, e os dois concordaram em trabalhar conjuntamente de forma rápida e eficiente para que as populações possam ver resultados concretos da parceria. A implementação será gradual, com efeitos práticos sendo sentidos ao longo de vários anos.
Quais são os principais desafios e resistências? Embora celebrado por governos e setores industriais, o acordo ainda enfrenta resistência de agricultores europeus e ambientalistas. Na França, por exemplo, agricultores entraram com tratores em Paris nesta terça-feira, pela segunda vez em uma semana, para protestar contra o acordo que, segundo os manifestantes, ameaça a agricultura local ao criar concorrência desleal com importações sul-americanas mais baratas. Ambientalistas criticam possíveis impactos sobre o clima e a concorrência agrícola, exigindo salvaguardas ambientais mais rigorosas.
O que vem depois da reunião no Rio? A cerimônia de ratificação entre os dois blocos está confirmada para este sábado (17) em Assunção, capital do Paraguai, com a presença dos líderes europeus e ministros de relações exteriores do Mercosul. Este evento marcará o início formal do processo de implementação, que deverá transformar as relações comerciais entre América do Sul e Europa nas próximas décadas. Os olhos do mundo estarão voltados para como Brasil e União Europeia equilibrarão os benefícios econômicos com as preocupações ambientais e sociais levantadas por críticos do acordo.