
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (16/01/2026) que o Brasil não será eternamente exportador de commodities, defendendo a produção e venda de bens industriais de maior valor agregado. A declaração foi feita após reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para discutir a assinatura do acordo econômico entre Mercosul e União Europeia, marcada para o próximo domingo (17/01/2026) no Paraguai.
O que causou a declaração de Lula? O presidente destacou que, embora o Brasil tenha sido um grande provedor de produtos agropecuários para a União Europeia, o país não se limitará ao papel de exportador de commodities. "Queremos produzir e vender bens industriais de maior valor agregado", afirmou Lula, acrescentando que a parceria com a UE gerará empregos e oportunidades "dos dois lados do Atlântico". O acordo, descrito como "muito bom sobretudo para o mundo democrático e o multilateralismo", representa um dos três importantes acordos fechados durante seu terceiro mandato, incluindo também EFTA e Singapura, com busca por novas parcerias com Canadá, México, Vietnã, Japão e China.
Qual o status atual do acordo Mercosul-UE? A aprovação por maioria qualificada no Conselho Europeu destravou a agenda, mas o texto ainda precisa passar por um ciclo de ratificações e ajustes técnicos que pode se estender por meses. No lado europeu, a Comissão e o Parlamento da UE precisam formalizar o aval político, e diversos parlamentos nacionais podem ser chamados a ratificar partes do tratado devido à sua natureza "mista" (com temas comerciais e regulatórios). Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai também terão de ratificar internamente o texto, com governos da região vendo o acordo como estratégico para ampliar exportações agroindustriais, mas enfrentando resistências de segmentos industriais e sindicatos preocupados com competitividade.
O desfecho do acordo Mercosul-União Europeia permanece incerto, com um longo processo de ratificação pela frente e pressões políticas domésticas em ambos os lados. Enquanto Lula projeta uma transformação na pauta exportadora brasileira rumo a bens industriais de maior valor, a implementação prática depende de superar resistências agrícolas, ambientais e industriais. O próximo passo imediato é a assinatura formal no Paraguai, mas o caminho até a efetiva entrada em vigor pode se estender por meses ou até anos, moldando as relações comerciais do Brasil e do Mercosul com a Europa em 2026 e além.