
O ex-vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PL-SC) publicou nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, uma imagem do ex-governador João Doria segurando uma revista cuja manchete o define como 'CEO de São Paulo', em uma crítica direta ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e sua esposa, Cristiane de Freitas. A postagem ocorre após a primeira-dama paulista defender uma eventual candidatura do marido ao Planalto, usando o termo 'CEO' em referência a Tarcísio, o que gerou reações negativas dentro do bolsonarismo.
Horas antes da postagem com a imagem de Doria, Carlos Bolsonaro já havia feito críticas indiretas a ex-aliados e a setores da direita que se colocam como alternativa ao bolsonarismo, em uma publicação com ataques a 'isentões' e políticos eleitos com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. A movimentação ocorre um dia depois que um levantamento do instituto Meio/Ideia apontou Tarcísio de Freitas como o nome da direita mais competitivo em um eventual confronto eleitoral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), destacando a tensão interna na direita brasileira.
No vídeo publicado no Instagram, Tarcísio de Freitas critica o governo Lula, afirmando que 'o que está aí envelheceu' e que o País carece de algo 'moderno'. A publicação foi curtida pelo próprio governador e compartilhada pela ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro (PL), mostrando um alinhamento parcial, mas que enfrenta resistência de figuras como Carlos Bolsonaro. Doria foi aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018, com o slogan 'Bolsodoria', mas a aliança se rompeu, e a família Bolsonaro passou a acusá-lo de se beneficiar politicamente da imagem do então presidente.
No mesmo dia, o senador Flávio Bolsonaro (PL) disse que conta com o apoio de Tarcísio e fez um apelo para que setores mais duros do bolsonarismo evitem pressionar o governador de São Paulo. Na mesma linha de Carlos, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) retuitou uma postagem do blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo, no X, em que ele diz que 'o bolsonarismo não quer um CEO' e que essa fala seria 'positivismo estúpido típico de milico', reforçando a divisão interna sobre a estratégia política da direita.
Condenado a 27 anos e três meses de prisão por cinco crimes, o ex-presidente Jair Bolsonaro está preso desde novembro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, enquanto seus filhos mantêm a influência no movimento. No dia 25 de dezembro, o senador Flávio Bolsonaro leu uma carta, assinada por seu pai, onde o ex-presidente confirma que o filho será seu pré-candidato para a disputa pelo Palácio do Planalto em outubro, indicando que a família Bolsonaro continua a centralizar as decisões, mesmo com figuras como Tarcísio ganhando espaço. Este episódio revela as fissuras na direita brasileira, com o bolsonarismo tentando manter o controle frente a alternativas emergentes, em um cenário político polarizado que se intensifica rumo às eleições de 2026.