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A Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal, deflagrou nesta terça-feira (13) a nona fase da Operação Overclean, cumprindo nove mandados de busca e apreensão contra o deputado federal baiano Felix Mendonça Jr. (PDT), apontado como principal alvo da atual etapa da investigação.
As ações foram realizadas em Brasília (DF), Salvador, Vera Cruz e Mata de São João (BA), com um dos endereços sendo um imóvel no Corredor da Vitória, área nobre da capital baiana, todos ligados ao parlamentar. A operação também determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF).
A Overclean investiga há mais de um ano uma organização criminosa envolvida em desvio de emendas parlamentares, corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. Em fases anteriores, a operação resultou em prisões e apreensões significativas, incluindo a descoberta de mais de R$ 220 mil em dinheiro jogado pela janela por um vereador e R$ 3,2 milhões encontrados em gavetas na casa de um ex-prefeito.
A defesa de Felix Mendonça Jr. caracterizou as novas buscas como "estranhas" e sem fatos que justifiquem a medida, destacando que em junho de 2025, quando mandados anteriores foram cumpridos contra ele, não foram encontrados elementos comprometedores. Em nota, a assessoria do deputado afirmou que ele "jamais negociou a execução de emendas parlamentares" e lamentou a "morosidade das investigações", que causariam prejuízos políticos em ano eleitoral.
O histórico da operação revela um padrão de atuação que envolve figuras de diferentes partidos e esferas do poder. Na primeira fase, em dezembro de 2024, 59 mandados foram cumpridos e 16 pessoas presas, incluindo o empresário José Marcos Moura ("rei do lixo") e o vereador Francisquinho Nascimento, de Campo Formoso. Fases subsequentes miraram o então vice-prefeito de Lauro de Freitas, Vidigal Cafezeiro (Republicanos), o ex-secretário de Educação Bruno Barral, e prefeitos de municípios baianos como Paratinga, Ibipitanga e Boquira.
Os investigados na operação podem responder por crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro. A nona fase reforça o caráter contínuo da investigação, que já movimentou mais de R$ 1,4 bilhão em contratos, principalmente com o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS).
Enquanto a defesa de Felix Mendonça Jr. mantém a postura de colaboração com as investigações e confiança na Justiça, a operação expõe as fragilidades do sistema de controle sobre emendas parlamentares. A análise técnica sugere que, independentemente das alegações de inocência, a repetição de esquemas similares em diferentes gestões municipais e estaduais aponta para uma vulnerabilidade estrutural que transcende siglas partidárias, demandando reformas mais profundas nos mecanismos de fiscalização.